domingo, 30 de dezembro de 2007

Garras


A TV de Pai Mei, no alto das montanhas na Patagônia, não estava pegando, havia um problema com o sinal da TV à cabo, e o cara que viria concertar já estava em sua terceira tentativa na escalada da escarpa. Assim como eu, o coitado se ralou todo na tarefa, mas tudo bem, o que ele aprenderá nisso será de grande valia para sua vida futura. Eu acho.

Sendo assim, tivemos que nos contentar com a TV aberta. Ou seja: Globo, SBT, Record, Band e similares. EStávamos assistindo o Globo Esporte e, no intervalo, ouvimos uma frase iluminada. Nunca pensei que a TV aberta poderia transmitir tanta sabedoria assim! "Para vencer, você precisa de garra, paixão, e muita emoção". Quem disse isso foi um comercial da Wizard, aquela escolinha de inglês, mas Pai Mei interveio e disse que sim, isto era uma verdade, mas estava escondida debaixo de slogans publicitários.

Então, Pai Mei disse que eu deveria ir em busca destes três itens, um de cada vez, para vencer. Vencer o quê exatamente, eu ainda não sei, mas se é Pai Mei quem está dizendo, eu é que não vou discordar.

O primeiro item era a Garra. E eu deveria ir atrás de Garra. Já! Mas onde, àquela hora da noite e com toda aquela neve que cai no alto das montanhas da Patagônia, eu iria encontrar Garra?

Lembrei, então, das galinhas criadas por mestre Pai Mei, que nos servem de alimento com sua vidinha miserável. Esses bichos devem ter uma auto-estima muito baixa, e se fossem inteligentes o suficiente, seriam um mercado à parte para o comércio de livros de auto-ajuda. Então, entrei no galinheiro e as encontrei repousando, encolidinhas umas ao lado das outras tentando se esquentar. Queria examinar suas patas, mas elas estavam escondidas sob suas penas, protegidas do frio. Resolvi pegar uma delas.

No exato momento em que coloquei minhas mãos sobre a galinha, ela berrou, gritou, ou seja lá o que as galinhas fazem, e acordou todas as outras, e todas elas vieram para cima de mim, me bicar, me atacando furiosamente. E enquanto agüentava as bicadas, fui olhando as unhas dos pés da galinha que tinha em mãos. Eram garras muito pequenas, eu precisaria de algo melhor que aquilo. Joguei a galinha pro alto e avistei... o Galo!

Suas esporas eram grandes... hum! Dariam boas garras. Só que eu não contava com a possibilidade de o galo ser mais arredio que as galinhas.

No final, saí do galinheiro toda cheia de titica, sem Garra nenhuma, com frio e morta de cansaço. Queria entrar no xalé, tomar um banho, um chá, e cair na cama. Mas Pai Mei, o velho filho da p*ta a alma iluminada que sempre tem algo a nos ensinar, me trancou para o lado de fora, na neve, sem nada para me aquecer, me privando do conforto, e sem ao menos a programação da TV aberta. Se bem que esse último não foi tão ruim.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Neo-niilismo

Um dia você se dá conta que suas crenças são todas furadas e que o que você crê mesmo é que nunca se vai chegar a conclusão nenhuma sobre o que é real, certo, ou pelo menos aceitável, sobre a Vida, o Universo é Tudo o Mais.

E agora? Não vai servir pra nada você ser bem comportado durante toda a sua vida miserável porque, afinal, o céu não existe, o inferno não existe, porque nada faz sentido e, aliás, nada fazer sentido também não faz sentido. Se nada tem sentido, o que fazer da sua vida? Acabar com ela pulando do alto de um edifício de 50 andares? Cortar os pulsos?

Nada disso! Você acaba de encontrar a resposta para as suas dúvidas! Não sei se já existe, mas é o que eu convencionei chamar de neo-niilismo. E olha só que legal: você nem vai precisar vestir roupas negras com inspiração gótico-vitoriana, se queixar que sua vida é uma bosta, e ficar fazendo doce em vez de se suicidar logo de uma vez por todas. Basta simplesmente... viver.

O negócio, como expliquei acima, é viver e pronto. Da melhor maneira possível. Sem ninguém te enchendo os pacovás. Se, no final das contas, alguma coisa fizer sentido e tudo o que você acreditava antes era mesmo verdade, que culpa você tem? Nenhuma, afinal, ninguém veio te resgatar antes, e te mandar pro inferno seria, no mínimo, injusto.

Stay safe!

domingo, 4 de novembro de 2007

Você tem o poder!

Todo mundo tem poder. Uns em grau mais elevado; outros em menos. Mas todos tem o poder. Sim, você pode achar que eu estou brincando, mas todo mundo pode. É, todo mundo pode com sua vida! Vamos por partes.

O que é poder?



Poder é... poder, oras! Poder é quando alguém faz alguma coisa e ninguém consegue impedir, pelos mais variados motivos, mas geralmente é porque o podido é um bundão mesmo. E normalmente, as pessoas fazem alguma coisa que pode com você, que pode com sua vida. E você acha que não é capaz de fazer nada para impedir.

Mas... espere! Você pode! Porque você também tem o poder! Você também é capaz de poder com os outros! Continue lendo e aprenda como se tornar poda (o cara que pode com os outros).


Taí um cara que é um legítimo poda. Aprendam com ele, crianças.



Por que o poder?



Muitos sábios dizem que devemos ser equilibrados, que "a vingança nunca é plena, mata a alma e envenena", que se deve pagar o Mal com o Bem (assim mesmo, em letras maiúsculas). Eu já contei aqui do meu retiro espiritual nas montanhas da Patagônia e do quanto Pai Mei me ajudou e me ensinou, e transmito aqui os ensinamentos milenares do velhinho, e o que ele pensa a respeito da Regra de Ouro. E nas próprias palavras dele:

Isso é coisa de bichona covarde! Tem mais é que poder mesmo!


Como conseguir o poder?



É simples: te chutaram a canela? Chute a do outro de volta! Te roubaram alguma coisa e te passaram pra trás? Não deixe barato! Furaram teu olho? Fure o do outro! Pegaram tua mulher? Pegue a do outro também, seu corno!

O negócio não é fazer com os outros o que você gostaria que fizessem à você, e sim fazer aos outros o que os outros fazem a você, o que é muito mais lógico, e ninguém vai te ver como um maricón banana.

Não é crueldade, é uma lei do Universo. E o Universo é recíproco. Acredito que todos já ouviram a máxima que diz que "tudo o que você fizer, voltará para ti". Um princípio bumerange de ação e reação, correto? Então, porque não dar uma ajudinha pro Universo e apressar o troco que, de qualquer forma, o outro já vai levar mesmo, não? Assim, o Universo, que tem coisas muito mais importantes a tratar, pode ficar livre para tratar das outras pendências!

"Grande poderes trazem grandes responsabilidades"



Sim, poder é perigoso. É por isso que há poucos "podas" (os caras que podem) no mundo, porque nem todo mundo tem capacidade para o poder. Você só será agraciado com o título de um legítimo poda quando mandar tudo à merda e poder mesmo com todo mundo.

Tenha uma semana iluminada e até a próxima!

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Qual o Segredo?

Pai Mei diz que andam espalhando muita besteira a respeito de pensamento positivo por aí, que lançaram filme e livro vendendo a premissa do título deste artigo. Pai Mei diz que é tudo besteira, desculpa de editora pra faturar uma verdinhas porque a série do Harry Potter acabou e não vai ter um livro do Dan Brown tão cedo nas prateleiras. É o tal d'O Segredo. Ainda não li, mas Pai Mei disse pra não ler, e que se eu quero saber alguma coisa mais aprofundada, é pra perguntar pro Oráculo. Segundo a resposta, é alguma coisa relacionada a magnetismo e ímãs de geladeira. Já que eu falei do Harry Potter, me lembrou vagamente o feitiço Accio.

Pai Mei anda aborrecido porque na verdade a idéia era dele, e ele guardava a sete chaves escrito num papel de pão no cofre de um banco suíço. Parece que um político brasileiro precisou de um espacinho a mais no banco (já havia lotado todos os outros cofres) e, por ser um cliente muito importante, o gerente abriu o cofre de Pai Mei. Ao ver somente um papelzinho lá dentro escrito em caracteres mandarins, jogou fora e cedeu o espaço ao político. E o Segredo foi embora com o banqueiro, que mais tarde o jogou numa lixeira, onde foi recolhido por uma faxineira.

Basicamente, o negócio é pensar positivo e atrair boas vibrações (não neste sentido), a fórmula mais copiada por qualquer livrinho da literatura (?) paulocoelhiana. Seria só isso, se Pai Mei não tivesse escrito no papel de pão com sangue de unicórnio do Vale do Silício, após um pacto de fidelidade com o Roda a Roda, e o papelzinho, segundo conta o mestre, ser mais valioso que tudo o que o Segredo pode proporcionar. Há até uma sociedade secreta que está em busca desse pedaço de papel há anos, como é mesmo o nome deles? Maçons? Mórmons? Illuminati? Whatever. Acho que é isso mesmo: o nome é Whatever.

Vou ver se, quando Pai Mei não estiver olhando, dou uma passadinha ali na banca pra dar uma checada nesse tal de Segredo.

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

"Todo fracasso ensina ao homem algo que ele precisa aprender"


Se você chegou até aqui, é porque sua vida anda uma bosta. Seja sincero(a): nada do que você faz dá certo, ninguém valoriza suas ricas e ponderadas opiniões e qualquer coisa que você diga é usada contra você mesmo. Você anda pela rua e parece que todos os dejetos e sujeiras estão de olho em você e grudam na sua roupa; chicletes debaixo do sapato junto com cocô de cachorro, bola de suor no suvaco, verruga no nariz, e tudo isso quando você vai numa entrevista de emprego, ou encontrar aquela pessoa. Invariavelmente essa pessoa vai olhar pra você e pensar: mas que merda! Eu pensaria assim.

É ruim? É claro que é ruim! Anti-higiênico e fedorento também. Mas quer saber de uma outra coisa que aprendi com Pai Mei enquanto estive em retiro espiritual nas montanhas da Patagônia? Que todo pobre diabo que eu vejo é o cara mais sortudo do Universo Conhecido - e do Desconhecido também, se bem que desse se sabe muito pouco*.

Eu estava escalando uma escarpa rochosa e pontiaguda ao lado do grande Mestre, quando de repente o velho filho da p*ta sábio pega um canivete de seu bolso e corta as cordas do meu equipamento de rapel. Estávamos a uma centena de metros do nível do mar, e eu saí rolando e me ralando toda pelas pedras da cordilheira, recebendo todos os espinhos das plantas de galhos retorcidos nativas da região, até que bati a cabeça numa pedra e fiquei desacordada. Quando abri os olhos novamente, Pai Mei disse que eu era uma pessoa melhor.

Indaguei sobre como aquilo era possível e ele, cheio de luz e sabedoria para dar e vender a preços módicos, mandou eu observar os azarados quando retornasse para a civilização. Pai Mei disse que fracassados sempre sabem quando vão fracassar, por exemplo, pois isso acontece o tempo todo com eles, e me pediu para só lhe dirigir a palavra quando tivesse descoberto o que foi que aprendi nesse acontecimento.

Eu caí da escarpa, e fraturei três costelas, a tíbia, o perônio, o rádio, o cádmio, o carbono e o manganês. Fiquei algumas semanas de molho, enfaixada, e não fazia idéia do que tinha aprendido. Um dia, acordei iluminada (a luz do quarto do hospital dos Andes estava acesa) e chamei Pai Mei para lhe contar minha descoberta de auto-conhecimento.

Aprendi que cair sobre pedras dói. Muito.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Questão existencial número 1: Por que nascemos?

Ninguém sabe que porcaria está fazendo no universo, neste planeta em que nem teve o direito de escolher se queria mesmo estar aqui, ou ser um daqueles microorganismos que vivem em Marte.

Dúvidas assolam a mente humana desde os primórdios, desde que vivíamos em cavernas. Mas não se preocupe, vou responder a todas elas, de acordo com a sabedoria milenar que herdei do grande mestre Pai Mei, que me orientou na minha jornada pelas montanhas da Patagônia. Fique ligado(a) no blog, essas e outras questões altamente perturbadoras serão respondidas, e então você poderá caminhar para a luz. Por que nascemos? Por que vivemos? Por que morremos? O que há do outro lado? Por que pagamos tantos impostos?

A primeira questão: por que nascemos?
Acredito que esta é uma pergunta que deve ser respondida pelos seus pais. Assim, se você não sabe essa, é por que não tinha um bom diálogo com eles, e como essa possibilidade existe, vou fazer o favor de lhe explicar.

Imagino que seus pais tenham se conhecido e... pimba! Um dia eles resolveram que seria muito bom eles darem uma ripa na chulipa pra concertar a rebimboca da parafuseta. E saiu isso. Digo, saiu você. E você está aqui, lendo isto. Não que eles tenham tido vontade de ter você, mas é por isso que você nasceu, porque papai e mamãe resolveram fazer um papai e mamãe, e acabaram tendo que trocar fraldas, limpar seu cocô, e mais tarde aguentar você e sua aborrescência lhes pedindo dinheiro e torrando o saco. Você foi um problema para eles, desde o início.

Mas não precisa se sentir mal. Acontece com todo mundo. Mestre Pai Mei disse que passou metade de sua infância trancado no armário se culpando por todos os problemas que trouxe aos seus pais. Em seu testemunho, o guru afirma que foi o terceiro filho de uma pobre família chinesa, e lá na China, eles só permitem dois filhos - acima disso, os pais devem pagar impostos. Então, toda vez que o fiscal do governo chegava, Pai Mei se escondia no armário. Vivia tão deprimido que fugiu de casa, o coitado, pois não suportava a idéia de ser um peso fiscal para seus pais.

Viajou pelo mundo em sua fuga, até que conheceu uma garota e, por acidente, descobriu porque é que as pessoas nascem. E apesar de viver humildemente no alto de uma montanha na Patagônia e de movimentar suas ações na Nasdaq somente quando Steve Jobs faz uma keynote, paga uma gorda pensão pros seus rebentos.

sábado, 11 de agosto de 2007

O retorno!

Fiquei vários dias longe, em retiro espiritual no alto de uma montanha na Patagônia refletindo sobre a Vida, o Universo e Tudo o Mais. Precisava refletir, e por isso fiquei tanto tempo distante deste blog, para me recarregar com energias positivas para ajudar as pessoas que aqui chegarem atrás de Paz, Amor e Harmonia.

Neste retiro espiritual, encontrei o grande mestre Pai-Mei, grande sábio chinês. Ele me disse para continuar a minha obra de ajudar as pessoas a se descobrirem diamantes brutos, e iluminar suas vidas através do blog e, por conseguinte, iluminar minha própria alma.



Por isso, e somente por isso, voltei. Porque ajudar as pessoas é importante. É importante fazer as pessoas terem uma atitude positiva em suas vidas. É importante fazer as pessoas enxergarem a luz na escuridão.

Para fazer isso, sempre que possível estarei escrevendo aqui a respeito dos segredos para uma vida feliz. Não como aqueles aproveitadores que escrevem e fazem com que você tenha de comprar o livro deles, que nunca custa muito barato. Esses caras só querem tirar seu dinheiro. Mas eu não. A única coisa que peço em troca dos ensinamentos transmitidos, adquiridos do grande mestre chinês Pai Mei é que vocês espalhem a mensagem.

E, claro, não esqueçam de clicar no quadradinho aí do lado.