
A TV de Pai Mei, no alto das montanhas na Patagônia, não estava pegando, havia um problema com o sinal da TV à cabo, e o cara que viria concertar já estava em sua terceira tentativa na escalada da escarpa. Assim como eu, o coitado se ralou todo na tarefa, mas tudo bem, o que ele aprenderá nisso será de grande valia para sua vida futura. Eu acho.
Sendo assim, tivemos que nos contentar com a TV aberta. Ou seja: Globo, SBT, Record, Band e similares. EStávamos assistindo o Globo Esporte e, no intervalo, ouvimos uma frase iluminada. Nunca pensei que a TV aberta poderia transmitir tanta sabedoria assim! "Para vencer, você precisa de garra, paixão, e muita emoção". Quem disse isso foi um comercial da Wizard, aquela escolinha de inglês, mas Pai Mei interveio e disse que sim, isto era uma verdade, mas estava escondida debaixo de slogans publicitários.
Então, Pai Mei disse que eu deveria ir em busca destes três itens, um de cada vez, para vencer. Vencer o quê exatamente, eu ainda não sei, mas se é Pai Mei quem está dizendo, eu é que não vou discordar.
O primeiro item era a Garra. E eu deveria ir atrás de Garra. Já! Mas onde, àquela hora da noite e com toda aquela neve que cai no alto das montanhas da Patagônia, eu iria encontrar Garra?
Lembrei, então, das galinhas criadas por mestre Pai Mei, que nos servem de alimento com sua vidinha miserável. Esses bichos devem ter uma auto-estima muito baixa, e se fossem inteligentes o suficiente, seriam um mercado à parte para o comércio de livros de auto-ajuda. Então, entrei no galinheiro e as encontrei repousando, encolidinhas umas ao lado das outras tentando se esquentar. Queria examinar suas patas, mas elas estavam escondidas sob suas penas, protegidas do frio. Resolvi pegar uma delas.
No exato momento em que coloquei minhas mãos sobre a galinha, ela berrou, gritou, ou seja lá o que as galinhas fazem, e acordou todas as outras, e todas elas vieram para cima de mim, me bicar, me atacando furiosamente. E enquanto agüentava as bicadas, fui olhando as unhas dos pés da galinha que tinha em mãos. Eram garras muito pequenas, eu precisaria de algo melhor que aquilo. Joguei a galinha pro alto e avistei... o Galo!
Suas esporas eram grandes... hum! Dariam boas garras. Só que eu não contava com a possibilidade de o galo ser mais arredio que as galinhas.
No final, saí do galinheiro toda cheia de titica, sem Garra nenhuma, com frio e morta de cansaço. Queria entrar no xalé, tomar um banho, um chá, e cair na cama. Mas Pai Mei,


